“Quando a realidade parece ficção chegou a hora de fazer documentários”.

- O que é isso?

- É a chamada da propaganda na TV Cultura, cultura docs “quando a realidade parece ficção, chegou a hora de fazer documentários” documencurtas.

-ah!

- 46 BILHÕES! 46 BILHÕES, e os brasileiros só queriam investir 10 bilhões, estipularam um limite de 10 para quererem. 10 bilhões, pela mesma coisa que os africanos e os argentinos compraram por quase cinco vezes mais. E eles ainda esperam ter lucro, não é simplesmente receber o investimento de volta, eles estão convictos de que terão lucros.

- 46 BILHÕES! E ninguém, nenhuma empresa nacional quis investir no país, tem hora que dá vergonha ser dessa nação. Os argentinos e os africanos apostam 5 vezes mais em nós mesmos do que a gente.

- Nossa acabei de perceber que meu problema de auto-estima, é uma questão de nação. A gente é todo alegre e coisa e tals, mas na hora de valorizar o nosso potencial, cadê, ninguém dá a cara tapa, ninguém encara. 55 companhias foram desbancadas pelos crentes africanos e argentinos. Quero mais é que eles decolem!!! Eles merecem nem que seja pela coragem, por terem sido os únicos a fazerem uma aposta real, cinco vezes mais que qualquer companhia nacional, e ainda esperam ter lucros. LUCROS, não simplesmente recolherem o que investiram, até porque, que doideira investir sem pensar no retorno. 46 bilhões!

- Sobre o que você gostaria de escrever? Se bobear politica mesmo. Eu tinha dois apelidos na colégio quando era mais nova, por volta da quarta série. Freira e Politica (prefeita) não lembro exatamente o termo, mas era um dos dois, claro esses e dúzias de outros mais, muito ofensivos para serem esquecidos, muito ofensivos para serem citados. Não destruiu meu caráter, e nem construiu minha personalidade, fez de mim alguém mais tolerante, muito mais paciente, e até mesmo qual é o termo? Acomodada, me preocupava tão pouco com tudo isso, que talvez fosse sinal que eu não era das pessoas com mais atitudes.

Talvez por isso politica, sempre fui boa de discurso. E olha que nunca fui do tipo que ensaiava discurso em baixo do chuveiro, nesses momentos de lazer eu cantava, aliás cantar é algo que ainda, e que sinto sempre farei. Para acalmar a alma, para me livrar do congestionamento mental, e material que se estende a quilômetros, enfim, para tudo cantar é sempre a solução, a minha salvação vem através da canção.

Mas era sobre os discursos que eu discursava não era? Uma vez ensaiei, assisti um episódio de “friends” (serie americana), e sem querer uma amiga comentou sobre o mesmo episódio, e disse que ela também ensaiava como uma das personagens o dia que ela receberia o prêmio XYZ lá, eu nunca tinha ensaiado receber prêmio nenhum, aliás, eu nunca fui de ensaiar nada. A única coisa que ensaiei talvez, tenham sido diversas conversas imaginarias, mas que na verdade não eram ensaios, eram mais um desejo que nunca se realizariam. Sempre gostei de fazer isso, para todas as espécies de pessoas, eu sugeria perguntas e respostas. Sempre fiz terapia sozinha. Fazia as perguntas que gostaria de ouvir serem perguntadas, e respondia as coisas, que gostaria que fossem verdades, tai ensaie a vida inteira viver de verdade a minha vida. E agora, que não tem mais roteiro, que não tenho mais personagens reais imaginários às vezes me sinto perdida, engraçada, é um turbilhão (palavra engraçada, meio descontextualizada de sentido para mim)< mas é o que quero dizer> é um misturado de letras, sentidos, sentimentos, é uma coisa assim sem explicação.

Surreal, essa palavra ficou na minha boca hoje o dia inteiro, surreal, achei engraçado a primeira vez que vi a propaganda de chocolate, achei auspicioso, “SURREAL”< audacioso> talvez combine melhor. Mas é engraçado como depois do chocolate, toda vez que pronuncio surreal, surreal perde um pouco do sentido de incompreensão, de incognoscível, e ganha uma sensação, meio marrom e doce. Foi surreal o dia de hoje.

Sem preguiça é o que estou dizendo a mim mesma, agora que bateu uma de terminar esse imenso e bom texto, completamente fora de contexto, mas garanto que se você tivesse vivido o meu dia de hoje, saberia que tudo esta mais que claro sem nenhuma entrelinha, e sem nem mesmo faltar ou sobrar virgulas.

Voltemos ao surreal então, talvez ele faça a liga. Estava eu lá, dirigindo, dirigir com a lua cheia que fez essa noite…

(Os dados dessa reportagem, são facilmente desmentidos)

Fui dormir com uma vontade, de dizer que te amava, e que ainda amo tanto. Descobri que poderia, e que talvez você ouvisse, quem sabe? Eu disse:

Eu te amei na terceira e na quarta, na quarta também te agitei para a minha melhor amiga, fiz uma festa você foi, me pegou desprevenida, brigamos num quarto, na quarta porque eu te amava, e amava também aquela amiga, nós éramos crianças também, o que eu faria, ficaria com você desde aquele dia para o resto das nossas vidas?

Na quinta me rebelei, fui com as massas, não amei, na época ele parecia um príncipe, aquele que todas queriam, na sexta não lembro sinceramente não sei, você estava comigo? Ah! Lembrei na sexta eu gostava de um japonês, gostei bastante inclusive, na sétima é que não sei mesmo onde estive, faltei, foi quando comecei a faltar, quase repetir por isso, foi na sétima, só hoje sei.

Na oitava de repente você me beijou, o tempo parou na oitava, foi quando eu chorei, e sorri, e falei, e abracei, e senti, e vi a vida inteira… eu vi naquele dia, desprevenida porque não sabia que a gente só vê toda a nossa vida passar a nossa frente quando esta prestes a morrer. E foi o que fiz nos anos seguintes, passei o colegial me lamentando da sua ausência, passei três anos morrendo aos pouquinhos porque não podia morrer de uma vez, e então no final daqueles três anos, no ano seguinte foi só em você que pensei, foi só de você que lembrei, e lembro de que você ainda era muito… mas eu decidi viver independente de ter morrido, e foi assim que renasci. Nasci para a vida, uma vida inventada, uma vida amarga, uma vida longe de você, morri outra vez, desde o inicio estava fadada a isso, já que você, você não me deixou nem mesmo vê-lo durante esse tempo e então quando enfim eu estava me encontrando, achando um jeito de viver, sem lembranças, sem você na minha história toda…você apareceu, e bagunçou tudo outra vez.

Eu fingi que não vi, mas eu vi, hoje sei que não adianta fingir, o fato não é apagado e o que você mexeu em mim, continua mexido, está tudo errado, eu não deveria estar escrevendo isso, você deveria existir aqui comigo e apenas isso. Sabe a mulher invisível, a série do Selton Melo, você é por um acaso meu homem invisível? Mas será possível que nem assim podemos ter um caso, tá estou fazendo pouco caso das minhas próprias besteiras (você diria merda, você dizia muita merda), mas é só para ver se assim, elas passam mais rápido, e saem de uma vez por todas de mim.

Eu te amei, eu te amo, eu já nem sei, mas se houve amor em minha vida, e se eu de verdade amei, foi só você isso é tudo que sei, não, não teve um dia que me esqueci de você. Não sei porque Deus fez isso com a gente, na verdade comigo, porque a sua vida seguiu fui só eu quem bloqueou tudo, toda a vida que poderia ter tido, e ainda não tenho, ainda te quero, tarde da noite, dez anos depois, não estou mais te esperando, estou me afogando enquanto vejo seu barco atravessar o canal da mancha (bem vindo), você viu, acho que não atravessei, morri com a correnteza dos dias. Submergi, mas meu amor por você está vivo em alguma estrela do mar, emperrado no cais, não sei, meu amor por você é maior.

Maior que o meu amor por mim mesma? Não isso ele não pode ser, e por isso foi que segui, que vivi, que fiz até o que não queria muitas vezes simplesmente porque era o fluxo da vida, e continuei, e quando vejo, quando olho para trás, será que ainda vale a pena, vale a pena pensar em amor, pensar em alguém? Que não você, por que não importa o que eu faça, o que eu viva, quem eu conheça, eu torno sempre a você. Com todos os demais, são instantes, de alegrias, mas instantes, e você, você já esteve comigo toda a vida; posso te amar amanhã? Por que hoje eu não conseguiria fazer diferente, então amanhã me pergunte se ainda o amo, e talvez a resposta seja outra… como será que será daqui para frente, dez, quinze, vinte, dizem que começa a passar rápido, tenho medo de me ver sentada um dia, diante da história da minha vida, e ver, que mesmo achando que não, mesmo convicta de que não, ainda estou esperando você, volta para mim hoje.

Porque eu não tive coragem de dizer volta? Porque eu nunca pedi volta? Por que?

E que tolice a minha agora, escrever essas lembranças, memorias, o que quer que seja isso, meu coração não entende absolutamente nada de tempo, já tentei explicar a ele com todas as letras que faz muito tempo, foi em outra vida, eu era outra pessoa, mas parece que isso não importa, se eu morrer amanhã e doar meu coração, quem o receber, vai te encontrar? Vai te amar como eu amo, porque as vezes é tão involuntário, que acabo acreditando que sim, se isso acontecesse, seria exatamente assim, eu te amaria até sem estar em mim.

Abriria mão de todas as minhas verdades, para poder viver ao seu lado só um único dia, só mais um mês, dois, três, três foi perfeito. Eu sou boba, ingenua, futil, infantil, eu não cresci, mas se eu crescer, não vai ter mais amor aqui, não vai ter todo o amor que senti por você. E por pior que esteja, ou mais feliz que eu seja, gosto de dividir com você, por que? Não sei, loucura talvez… por volta da meia noite, é tudo que sei.

                         Vou virar o ano de amarelo em homenagem a você, mesmo que você não esteja mais na minha vida, nunca o esquecerei, é impossível, muito improvável e se esquecesse, não seria amor, então vai ser assim, vou brindar dessa vez, o inicio de um ano realmente novo, de uma garota, que quase se conformou com a ideia de que não é mais menina, mas toda mulher, por mais fatal que seja, abriga uma menina perdida em algum canto de si, nem que seja nas lembranças a que é remetida todas as vezes que olhamos para as fotografias do tempo que foi, e não será…

                             Saudades; demorei para admitir o quanto sinto saudades de você, porque sei que nós nunca mais nos veremos, demorei para assumir quase todas as saudades na minha vida, a do meu pai quando ele saiu de casa, e hoje as vezes penso, em como gostaria que ele estivesse perto, mas são saudades infundadas, não sei que diferença teria feito, que seja, sinto saudades da minha avó, demorei a senti-las, fazem mais de cinco anos e só pude admitir as saudades agora, como se tudo que senti tivesse hibernado anos dentro de mim, até que pudesse existir, até que eu soubesse, que por maior que fosse a dor, eu suportaria, é como dizer a vida, estou pronta para você agora, porque sei, que nada me levará, a não ser você mesma quando enfim eu tiver de ir.

                              Quis viver a vida inteira ao seu lado, porque não queria assumir que posso viver feliz com o meu próprio lado. Quando eu ainda nem tinha beijado na boca, decorei: “todo lado tem seu lado, eu sou meu próprio lado, mas posso viver ao lado do seu lado que era meu.” É assim passarinho, não quero que você seja meu pardal, não quero ser o seu falcão, só quero que de vez em quando, quando o sol raiar e nós ainda estivermos, ambos sobre os lençóis; a melodia da sua voz possa ser a trilha sonora do meu dia, até lá, vou cantar sozinha, porque talvez seja assim mesmo para sempre, sozinha, eu e Deus, Deus e eu. As vezes esqueço que mesmo na minha mais completa solidão, ela é preenchida, por tudos e todos que vi e vivi.

                            Passarinho mesmo sem crer em mudanças, muitas aconteceram na minha história, e mesmo querendo que o tempo parasse ele passou, não vou ser daquelas que dizem como o tempo passa rápido, ou como ele é lento, continuarei a brigar eternamente com o tempo,  porque ele passou sem me deixar recuperar nada do que gostaria, e deixei-o ir sozinho por longos anos. Agora não sei em que pé estamos, decidimos dar trégua um ao outro, vou eu no meu passo, ele no dele, e não nos atrapalhamos no caminho, talvez no fim da vida, do mundo, da história, ele e eu façamos as pazes, mas por hora, vivo em trégua com o tempo, que aparentemente consentiu.

                              Passarinho a vida mudou tanto que sinto vontade de dizer que quase sou feliz mesmo longe de você, valores, limites, ações, reações… tudo isso ainda sei pouco, sei tão pouco de tudo, e tão pouco de mim, mas aprendi a aceitar isso, aprendi a parar de procurar. Deve ter sido o seu bico, de tanto abrir e fechar para mim, aprendi a ouvir, falar ainda é meu esporte preferido, mas até que aprendi a ouvir com um certo gosto e passarinho, aprendi até a ter medo, mas a confiar! É! era isso que eu precisava de verdade contar, aprendi a confiar, e pasme desconfio nas horas certas as vezes, feeling, assumi o meu, mas talvez tenha tido grande colaboração divina nessa parte. Deus me abençoou, no dia em que o conheci, no dia em que fui batizada, no dia em que nasci, mas tenho morrido sempre, como antigamente, morro muito ainda, ah! Mas as vezes acho que é até bom morrer para começar tudo de novo, se pudesse mudar, qualquer virgula nos meus passos, nem os erros mudaria. Perdão, sim as vezes ele é muito precioso, mas não sei se duvidar de tudo é saudável, pela primeira vez passarinho, eu amo a vida, está vida, a que Deus me deu e eu tenho.

                          Você sabe, as palavras sempre querem parecer bonitas, mas é verdade que se estivesse parada a sua frente hoje, estaria sorrindo. Feliz ano novo!

obs: AH! É mesmo, mesmo que tudo mude, algumas partes são imutáveis… vou continuar a escrever, talvez admita o fato, não escrevo bem, mas tudo bem, vou continuar a ler, quem sabe até faça um curso, talvez até admita que preciso aprender inglês e deixe o francês para daqui um mês… ah! Tanto… não é porque é final de ano, é porque é começo de mim, sabe, preciso ser eu mesma, preciso me perder, preciso me encontrar, preciso amar, amar e amar… preciso as vezes respirar e dizer eu posso! Eu posso caminhar tranquilamente novamente… mesmo que nós sejamos os prisioneiros da selva de pedra, sou livre aqui, toda vez que paro e sinto, toda vez que sei exatamente o que quero dizer, toda vez que encontro a palavra, ou a forma… toda vez que penso em tudo e o tudo se desfaz num único segundo de querer, e sei exatamente o que. Sou tão livre nesse instante, que não poderia dividi-lo com mais ninguém nem mesmo com você.

obs2: Precisei dizer amo você! Porque amo de verdade e agora, não temo mais esse amor, é como flor que nasce, cresce e morre um dia, quando eu me for, morrerá em mim todo o amor que senti, que vivi, que vi… por hora passarinho, é só amor que precisava dividir, dizer dele assim, te amo sem fim!

                Eu escrevo por que amo? Ou amo porque escrevo? Eu amo? Ou escrevo? Ou amo escrever? Ou escrevo sobre amor? Ou amo para escrever? Ou escrevo para amar? Eu escrevo? Eu amo? Eu escrevo porque amo.

                 Porque depender disso, não poderia mais escrever, e amar outra coisa, não poderia mais viver, então continuo a escrever, mesmo que não seja um talento nada, e só um desejo imenso, mas bebes nascem de desejos imensos, e são amores imensos depois, claro, matem-me as mães e os pais, que tem filhos comparados a palavras, mas eu, que não tenho filhos, e apenas palavras, sou um amontoado de idéias, tentadas traduzir em palavras, as vezes falhas, filhas rebeldes, noutras prodígios, os pródigos que voltam ao lar, mas palavras ainda assim, apenas e tão somente, palavras, e ademais tudo.

                    Uma vez amiga minha disse, você escreve engraçado, eu quis rir da graça que ela fez das minhas palavras, mas a graça toda estava no palavrear e não em mim, as palavras que eu dizia eram engraçadas, mas não eu, eu sou sem graça, sem palavras não sou nada, então eu escrevo para ser amada. Eu escrevo para amar. Eu escrevo para me comunicar, eu me comunico para viver, e eu vivo para escrever, então a minha lógica, não tem matemática, só letras, e mais letras, que insistem acontecer, mesmo sem terem por que, ou o que? Ques, e quandos? Como e ondes, apenas e tão somente, por quês… porque.

                      Era ou ultra, ou outra coisa, a quais coisas que, queria dizer, mas, dizer o que por que? Para quem? Por quem? Por onde? Por favor? É então e aquele meu trato de só falar de amor, cansei, cansou, cansaram… mas o amor… ah! O amor tem mais graça quando a gente vive, é como eu sou com as palavras, tem mais graça quando outrem lê, do que quando dou para escrever, não vejo graça no meu tom, penso as vezes que é sublime, mas outro lê, e me redime, o que me falta em bom senso, sobra, em amigos, e assim, é que se vive, se lê, se vê, se vive, viver? Viver.

Eu escrevo porque amo.

                                 O homem que eu mais amei ainda não era um homem e hoje eu sei, o outro homem que amei, já era homem demais para mim, e eu nem se quer podia amá-lo, porque ele era homem de outra mulher. Agora eu já não sei o que é o amor, estou longe dele a tanto tempo, que tenho medo de me aproximar e não saber de verdade identificar o que é o amor.

                                 Então eu queria me declarar e continuar a escrever frases melosas para os meus dias carentes, mas não vejo o menor sentido em continuar a escrever, já que essa bailarina engordou, desceu do trapézio, e esqueceu que um dia voou. Ela cansou do público, e do privado, de todos os ensaios exaustivos ao lado do trapezista, mesmo que no final ele a pegasse todas as vezes. Porque ninguém tinha lhe contado quando ela entrou para a vida do circo, que não era apenas dedicação e diversão, que ela ia ouvir muitos gritos, que ela ia querer morrer, ou botar mesmo fogo no circo, que ela ia querer fugir com o primeiro caixeiro viajante que passasse na cidade, só para nunca mais ouvir o domador de leões estalar o chicote. Ninguém nunca tinha dito, que amar ao circo, lhe traria tantas decepções… ela só conhecia o salto, e como era bonito, quase como se ela fosse a menina sentada na fileira, fazendo figas ou sinal de oração com a mão e pedindo a Deus que eles não morressem que eles voassem… E ela sonhava em voar, mas ela não sabia o quanto dava trabalho voar. Voar dá muito trabalho, e ela é preguiçosa, tem sangue de beira do mar, está pensando em montar uma pousada na Grécia e se mudar de uma vez para lá, afinal, aqui parece mesmo que ela só fala em grego, então é capaz que lá alguém mais a entenda.

                                  E quanto amar, e o amor, acho que ela deixou para próxima, cresceu ouvindo os outros, os que sempre atrapalham, dizerem que não se pode ter tudo na vida, talvez esteja conformada com o fato, de que não será amada, nunca mais.

                                    Mais de mil pensamentos passam pela minha cabeça por minuto, nem sei dizer quais? Como? De onde vem ou por que surgiram? Mas eles estão, vem e vão, alguns ficam, outros somem perdem-se no emaranhado de idéias que se interligam procurando soluções para os problemas, que péra? Não pera, como o computador gostaria de me dizer que é, se eu deixasse sem acento, coisa também que o computador não permite, então pêra! Pera catzu|! São problemas que eu mesma crio? Arranjei um emprego, que é criar problema? Ou será mesmo que estamos sempre engajados em apontar os erros para fazer melhorias?.

                                   O erro meus caros, é uma arte, é encontrar problemas para conseguir soluções, e enfim, então, sermos uteis, sentirmos que fazemos a diferença, vai ver era exatamente isso, que eu pedi a vida inteira, ou talvez fosse justamente isso que eu precisava da vida. Que ela me desse problemas, claro, só aqueles para os quais estou apta a encontrar soluções. “Não é problema meu” a violência crescente no mundo, ou algo desse tipo, que as pessoas fazem parecer, que “não é problema delas”, “não é problema meu” as crianças passando fome nos países emergentes, e assim como não é problema da gente os tais países emergentes, essa crise crescente, olha só que decadente, me deu até vontade de rimar dor de dente, mas “Não é problema nosso”, o que tem rolado por ai com o dinheiro alheio.

                                   Nossa se ganhasse um centavo para cada vez que ouvi “não é problema meu”, estaria rica, e talvez, talvez, não tivesse o menor sentido estar escrevendo tudo isso, talvez eu nem escrevesse (mentira). Eu sei lá quem eu seria se eu fosse tão rica, pelos problemas que os outros me mostraram um dia, que não era problema deles, mas acabava alguém tendo que resolver. E quantas vezes eu mesma até treinei mentalmente dizer para alguém, para qualquer um, mesmo que fosse mentira, “não é problema meu”.

                                     Enquanto alguns precisam aprender a dizer “é… péra/pera/pêra pode ser problema meu, mas eu não sei resolver, ao menos ainda não agora” tem quem precise aprender a falar “isso pode ser resolvido por outra pessoa” “talvez isso seja função de outro departamento”. A professora que está atrás de mim, por conta de um pdf, que ela recebeu a mais de um mês atrás, quando eu ainda era funcionária de outra empresa; queria dizer pra ela, ensaiei escrever para ela, “procure outro, que isso não é mais problema meu”. Mas no meio do caminho, entre escrever e enviar o e-mail pensei. Ah! Fui eu quem enviou da outra vez, devo ter o arquivo, posso procurar e mandar para ela. Ou… amanhã a hora em que estiver no trabalho (no outro), quando sobrar um tempinho posso abrir o adobe reader, e mandar o documento para ela, o melhor seria mesmo, ensinar para ela, qual é o mecanismo do “nosso” sistema, meu antigo sistema de trabalho, assim ela mesma pode fazer isso, quando quiser até outras vezes…. mas ah! Acabou que enquanto planejava tudo isso e fazia outras dez coisas, não mandei até agora o arquivo, mas ela levou mais de um mês, para abrir o email com o arquivo que tinha pedido, e constatar que o dito cujo, estava corrompido. De qualquer maneira, nada disso, é de fato, problema meu. Eu nem se quer trabalho mais nessa empresa.

                                       Então, por que deixei isso ficar o dia inteiro, talvez num lugar em que não tenho acesso o tempo todo, mas aquela parte do meu cérebro que parecia latejar, provavelmente estava pensando nisso. E é verdade, que se tivesse sentado e enviado o arquivo tudo isso já teria se dissolvido dentro de mim, mas tive outras prioridades ao longo do dia, e isso que de fato, não era um problema meu, e que eu simplesmente tomei conta, ficou ai. Assim, como essa história não é da conta de mais ninguém, senão eu mesma, assim como todas as histórias talvez sejam, para aqueles que acreditam que só se pode aprender que bater a cabeça na parede dói, depois que se deu uma cabeçada. Contudo não sou filha de psicóloga, e não sou eu mesma desse espécime de ser humano, e mesmo assim, ainda coloco uma fé incrível num negócio (que o computador insiste em dizer que não tem acento) chamado dialogo, o que é bem engraçado, mas talvez seja exatamente por isso, que fui parar numa profissão, que o apelido é comunicação.

                                        Só nunca pensei que ser dessa área envolvesse escrever e enviar, e planejar, e pensar, e entender, e justificar, e enfim, quase morrer para conseguir que todos os envolvidos façam a sua parte, para a minha, que é escrever claramente, e esclarecer a todos a quem os tantos comunicados são destinados, diariamente, possa ser cumprida. Parece que comunicação hoje, resumiu-se a comunicado, mas acho, aliás, estou certa de que não é apenas isso, que faz um departamento de comunicação, não é apenas isso que faz o cara que comunica.                     

                                           Ainda não sei bem, para onde vou, quem sou, ou o que serei. Mas sei bem, estou aqui para comunicar, e comunicarei. Nem que seja a mim mesma, que agora, as quase duas da manhã, porque 15 pode, segundo a minha querida amiga de RP, mas 16 é atraso, então as quase duas da manhã estou aqui, procurando arquivo de pdf, que fala sobre moda, que eu até que gosto muito, e gostava dessa parte, mas não é mais o “meu” trabalho isso, mesmo assim, porque provavelmente pensei na parte que lateja, se eu mandar para lá o problema, ele vai ficar lá como um problema, e eu posso dar uma solução para ele, então porque eu mesma não resolvo? Caso que, resolvi, enviei, uns cinco e-mails, todos meio, curtos e grossos, como eu bem sei ser, mas não gosto, e disse a que vim, agora espero ansiosamente pelas respostas, que as vezes, e na maior parte delas é assim, se for uma ausência de resposta, tanto mais positivo.

                                            Acho que agora entendi aquele livro a quatro mãos, toda vez que havia uma resposta o problema ainda não tinha sido resolvido, quando se encontra a solução, quase ninguém volta para dizer obrigado. Claro até porque nem sou muito chegada a essa palavra, mas gostaria muito de dizer grata. Grata a todos que me proporcionaram problemas solucionáveis ao longo desses meses, porque como canso de repetir, a gente cresce num mês o que deveria ter crescido durante a vida inteira, e aprende num dia, o que talvez não aprendesse em anos… é assim, sempre que acontece, acontece tudo de uma vez. A vida infelizmente, não segue planilhas de planejamento, com eu adoraria que fosse, porque acabei descobrindo, que descolada, eu só tenho cara, sou mesmo um “cara” metódico, mas também nas horas vagas, sou uma menina divertida.

Obs:.  Ah! Desabafo mesmo! E se por conta de tudo que já escrevi e ASSINEI nessa vida, não for de encontro ao “emprego dos meus sonhos” é porque talvez eu estivesse tendo pesadelos. Ninguém deveria ser lido como Bíblia, além da própria é claro, nada do que digo é imutável, graças a Deus só Ele é perfeito nessa vida.

ps: você precisa dormir, em algum momento você precisa dormir (lembra do que ele disse, dormir era forma de tortura, ai, ato falho, não dormir era uma das formas de tortura, mas de quem caramba, de quem?!)

ps2: esses ps´s só existem por conta daquele filme “ps: Eu te amo”, dizer ps para mim depois daquilo, é quase escrever “eu te amo”, sem nem precisar de todas as letras”

ps3: Priscila “PS:”

ps4: “Improviso e Elegância” Moda e Guerra um retrato da França ocupada.

 

obs1 (isso existe?) ? : Para quem não tenho tido tempo, espero que me perdoem um dia, e saibam que sou muito grata por todos os outros dias.

Eu me amo para sempre, elevado ao infinito (e põe ego e amor nisso)

obs2.: A foto não tem nada haver, é que queria lembrar sempre.

(Aliás, alguém mais viu aquela história de que o Van Googh não se matou, mas encobriu sua morte “depois de morto” para que o assassino não fosse punido, já que ele realmente queria morrer, quase não pude crer no que ouvia, mas foi isso mesmo que noticiaram). Pronto parei, fui dormir até quando der.

                          Ia começar a falar de um filme que assisti, não é um lançamento, e ganhou alguns prêmios. Mas não foi por isso que vi, fui a locadora até um pouco a contra gosto procurar um tal de “bem vindo”, filme francês de Philippe Lioret, que particularmente não conhecia. Mas já disse que não ia mais falar do filme não é mesmo!

                         Conheci um menino quando tinha, mentira, não o conheci nessa época, amei-o nessa época, quando tinha quase a mesma idade do protagonista, que tem no filme dezessete anos. Ele ama muito uma menina, ama demais uma curda, que cresceu no mesmo país que ele, que tem as mesmas referencias culturais que as dele, uma menina por quem ele se dispôs a atravessar todas as fronteiras que houvesse em seu caminho até ela.

                         Quem assistiu ao filme vai entender porque disse inicialmente que não falaria sobre o filme, porque seria considerado crime inafiançável olhar “welcome” apenas a partir deste prisma: O romance de Bilal com Mina, mas a verdade é que o filme é exatamente isso para mim, e se não fosse o canal da mancha separando os dois, não haveria filme, não é que não existiria um retrato documentado da situação, mas a história não marcaria, e não ficaria em mim, por só Deus sabe quanto tempo, talvez por toda a minha vida.

                          É claro que também é tocante a questão que  o filme quer tratar, mas não é por ela que vamos nos apegar ao personagem e chorar no final, não é porque imigrantes estão sendo espancados em pleno século XXI no país que estampou em uma de suas maiores revoluções o lema “Liberté, égalité, fraternité”. Fica bem claro que as palavras são apenas o capacho da porta de entrada, e nada mais que isso na França. Mas não é a França ou os franceses que andam a pisar em tudo e todos, somos todos nós, todos que negligenciamos não a vida dos que são diferentes, mas o amor aos que são iguais.

                         O fato de Bilal, ser um menino apaixonado, e não apenas um fugitivo a procura de asilo político torna-o um de nós, faz com que a identificação com o personagem seja imediata. Quando Bilal é apresentado à suprema corte francesa, e ganha imunidade para permanecer no país porque seu país de origem (Curdo) está em guerra, é nesse instante que qualquer um desligaria, mas ao transformá-lo num garoto apaixonado, que esta passando por ali, simplesmente porque para encontrar sua amada, é preciso atravessar aquelas cidades, traz novamente a tela a emoção com que cada um pode se reconhecer.

                          Durante o filme inteiro, sabe-se que ele é um emigrante, e durante o filme inteiro só o que vi foi um garoto vivendo um romance impossível, que precisa além de todas as fronteiras invisíveis atravessar fronteiras tangíveis. E a determinação que esse amor concede ao protagonista é o que faz com que todos nós do outro lado, impressionemo-nos, ao mesmo tempo passamos a pertencer ao problema que o filme traz quase no segundo plano. O fato de estarem tirando a liberdade a exercer o bem. A fazer o bem ao próximo, ao estabelecerem leis, que não apenas servem para educar a população, mas também para podar as ações que nos tornam seres humanos.